Sexóloga Flávia dos Santos: o cérebro moderno não descansa, e a intimidade sofre com isso
Durante décadas, falou-se da sexualidade como uma questão essencialmente física. Hoje, a ciência mostra que o desejo nasce primeiro no cérebro. Assim sendo, o stress e a ansiedade que decorrem do estilo de vida moderno têm um impacto decisivo na intimidade.
De acordo com a sexóloga Flávia dos Santos, embaixadora internacional da Gleeden, aplicação de encontros sem compromisso que chegou recentemente a Portugal, «pensamos que o cérebro é um órgão inesgotável, mas ele também se esgota e também envelhece. Claro que isso afeta a sexualidade.»
Justamente, explica a especialista, «se a parte cerebral está cansada ou sobre-estimulada, se já não consegue reter porque tem excesso de informações, excesso de imagens, a sexualidade vai ficando distante. Porque para ter bom sexo precisamos de ter criatividade. E para ter uma boa criatividade, precisamos de espaço mental. Espaço livre.»

VOLTAR AO BÁSICO PARA DESCANSAR O CÉREBRO
Com efeito, esta realidade afeta homens e mulheres, numa época em que estamos tão ligados digitalmente mas, paradoxalmente, desligados emocionalmente. Neste contexto, o cérebro recebe milhares de estímulos por dia, alternando constantemente entre trabalho, notificações, redes sociais e preocupações do dia a dia.
Assim sendo, o cérebro mantém-se em modo de alerta, mesmo quando seria necessário estar relaxado, em momentos de intimidade. Em consequência, o desejo é cada vez mais condicionado pelo stress, pela fadiga mental e pela dificuldade em criar verdadeira conexão emocional. Quando existe insatisfação nas relações, muitas vezes a Gleeden surge como um escape para quem busca a intimidade perdida.
Admitindo que não é fácil contrariar o ritmo de vida acelerado, a sexóloga Flávia dos Santos reconhece que «não é possível falar em descansar o cérebro sem falar em redes sociais, telemóveis e tecnologia. Estamos totalmente alienados dos nossos pensamentos e da nossa criatividade porque estamos escravizados por esta vida tecnológica. Querendo ou não, a única maneira é voltar ao básico. Voltar ao básico é literalmente desconectar para se conectar.»
Neste mês de julho, por norma de férias, seja a solo, com família ou amigos, a sexóloga Flávia dos Santos resume a receita para nos conectarmos «connosco, com o desejo e com outras pessoas: temos de nos desconectar.»
