«The wisdom of finance», Mihir Desai
COMO AS HUMANIDADES ILUSTRAM BEM OS TEMAS FINANCEIROS
Enquanto professor, o autor do livro «The wisdom of finance», Mihir Desai, dá aulas em dois polos da Universidade de Harvard, o que o obriga a atravessar o rio Charles. Com efeito, numa das margens situa-se a Harvard Business School, e na margem oposta a Harvard Law School. Ou seja, uma delas dedicada ao mundo objetivo dos números, e a outra focada nas humanidades.

Justamente, «The wisdom of finance» faz a ligação entre estes dois mundos, que em regra se rejeitam mutuamente. Justamente, o próprio autor sente essa fronteira, e pretende mostrar que as ciências exatas e as ciências humanas têm mais em comum do que vulgarmente se pensa.
Ao longo do livro, vamos percebendo essa ligação, e deixamo-nos surpreender por ela. Afinal, «The wisdom of finance» repesca da História, da Literatura, da Religião e até do folclore popular as raízes de diversos conceitos financeiros. Muitos deles, hoje em dia considerados crípticos pela maioria das pessoas.
Por exemplo, quando Jane Austen escreveu o clássico britânico «Orgulho e Preconceito», espelhou no dilema da protagonista o conceito de gestão de risco, fundamental no mundo financeiro.

Justamente, Lizzy Bennett tinha perante a si uma escolha crucial: entre um marido que não lhe agradava, e a possibilidade de ficar solteira, num contexto histórico em que as mulheres nada herdavam da família. Assim, arriscou recusar a proposta de Mr. Collins, mas acabou por encontrar um futuro bem mais feliz ao lado de Mr. Darcy.
AS FINANÇAS FAZEM PARTE DO QUOTIDIANO
De modo geral, o livro introduz um conjunto de conceitos que, aparentemente, fazem parte do mundo das Finanças. No entanto, o autor mostra-nos como cada um deles tem raízes na vida quotidiana, desde tempos imemoriais.
Por exemplo, na época dos descobrimentos, usava-se a diversificação para mitigar o risco de perda da carga e dos navios. Assim, distribuía-se a carga por diferentes navios, não fosse algum deles afundar no caminho, ou sofrer ataques de piratas. Hoje em dia, a diversificação é um conceito incontornável para a criação e gestão de patrimónios, na área financeira.
Segundo o autor, a primeira referência ao termo «finance» surgiu numa obra do século XV, «Tale of Beryn». De autor desconhecido, complementa os «Contos de Canterbury», de Chaucer, e usa o termo da seguinte forma: «To make from your wrongs to your rights, finance.» Ou seja, com o significado de cumprir as obrigações como forma de encontrar a salvação.
Do mesmo modo, uma dívida é mais do que uma dívida. Na veradade, representa um elo entre pessoas e uma relação de dependência, conforme retrata tão bem a obra «O mercador de Veneza», de Shakespeare.
CONCEITOS FINANCEIROS EXPLICADOS DE FORMA SIMPLES
Ainda a propósito de risco, o autor desmonta o conceito de high-beta, low-beta e negative-beta, que usualmente se aplicam aos ativos. Na prática, estes conceitos traduzem a maior ou menos volatilidade dos ativos. Naturalmente, maior volatividade representa maior risco. Por outro lado, maior estabilidade significa mais segurança. Para desmontar o conceito, o autor faz uma analogia com as amizades.
Assim sendo, os amigos «high-beta» são aqueles que temos, por exemplo, nas redes sociais ou no mundo profissional. Em regra, são pessoas que «tendem a aparecer quando tudo está bem, e a desaparecer quando as coisas correm mal.» Ou seja, pessoas com quem não podemos contar verdadeiramente. Como refere Aristóteles no livro «Ética a Nicómaco», são pessoas que gostam umas das outras pela utilidade».
No entanto, tal não impede que estes relacionamentos transacionais nos tragam, em determinadas situações, trazer-nos benefícios.
Por outro lado, os ativos low-beta são mais valiosos, pela sua estabilidade. Aplicando o conceito às pessoas que nos rodeiam, são aquelas com quem podemos contar, aconteça o que acontecer.
Em suma, estes são apenas alguns exemplos da forma como o autor estabelece pontes entre o mundo das finanças e as ciências humanas. Entre outras histórias, ficamos ainda a conhecer como surgiu a primeira lei sobre falências, ou como os casamentos se assemelham a fusões entre empresas.
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