Como reduzir a rotatividade jovem nas empresas?
A psicóloga Bárbara Ramos Dias lança novo programa de formação: «O segredo para reter talento jovem e diminuir a rotatividade nas empresas.»
Com 25 anos de experiência, Bárbara Ramos Dias é Psicóloga Clínica e especialista em adolescentes e jovens adultos. Publicou três livros e dinamizou diversos projetos de formação em empresas e organizações.
Neste contexto, lança agora um novo programa de formação: «O segredo para reter talento jovem e diminuir a rotatividade nas empresas.» Na prática, é uma ferramenta para os empregadores lidarem melhor com as novas gerações que entraram recentemente no mercado de trabalho. Com efeito, pelas suas características distintivas, representam um novo desafio para os empregadores.
Baseando-se em estudos internacionais recentes e na sua própria experiência em consultório, Bárbara Ramos Dias reconhece que «a Geração Z e os Millenials mais novos são consideradas mais desafiantes para as empresas. No entanto, também trazem um enorme potencial.»
GERAÇÃO Z: UMA NOVA MANEIRA DE ESTAR NO MUNDO LABORAL
Desde logo, Bárbara Ramos Dias refere que estas são gerações de «digitalização, imediatismo e baixa resistência à frustração». Assim sendo, estão «habituados à tecnologia, esperam respostas rápidas, processos ágeis e comunicação transparente.»
Por outro lado, têm «baixa tolerância a ambientes tóxicos.» Ou seja, «cresceram a valorizar saúde mental, bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional, por isso não hesitam em sair de empresas onde não encontram isso.»
Do mesmo modo, esta força laboral mais jovem tem «expectativa de crescimento rápido.» Por conseguinte, «querem aprender, evoluir e sentir reconhecimento. Empresas que não oferecem planos de carreira claros enfrentam maior rotatividade.»
A par disso, «valorizam propósito e significado, não se contentando apenas com um salário.» Por isso, preferem «empresas com valores alinhados aos seus, onde sintam que fazem a diferença.» Por valorizarem a empatia e a inclusão, «procuram líderes humanos, capazes de ouvir, compreender e criar ambientes colaborativos e inclusivos.»
UM NOVO DESAFIO PARA AS EMPRESAS
Segundo Bárbara Ramos Dias, as novas gerações trazem às empresas o desafio da «maior rotatividade: se não encontram motivação ou identificação, mudam rapidamente de emprego.» Em consequência, as empresas suportam «custos de recrutamento e formação mais altos: cada saída implica investimento perdido.».
Ao mesmo tempo, existe uma nova «pressão sobre os líderes: exige chefias mais preparadas em comunicação, empatia e gestão emocional.»
De igual modo, surge agora uma «necessidade de adaptação cultural.» Ou seja, «empresas mais rígidas ou hierárquicas enfrentam dificuldades em atrair e reter estes talentos.»
UMA REALIDADE QUE É INTERNACIONAL
Efetivamente, diferentes estudos, em vários países, apontam para o perfil distintivo – e mais desafiante para os empregadores – da nova geração que entrou no mercado de trabalho.
De acordo com o estudo Total Compensation 2023, da Mercer, uma das principais conclusões é o aumento do turnover (mudança de emprego) voluntário e a dificuldade em reter talento.
Com efeito, este estudo analisou 170 000 postos de trabalho de cerca de 570 empresas estabelecidas no mercado português. Na prática, mais de 10% dos colaboradores saíram voluntariamente.
De igual modo, dados da consultora britânica Deloitte, recolhidos em 2022, estimam que cerca de 40% dos indivíduos da Geração Z estariam dispostos a abandonar o emprego nos 2 anos seguintes. Mais do que isso, cerca de 35% destes indivíduos estariam mesmo dispostos a abandonar o posto de trabalho sem um emprego alternativo já planeado.
Um estudo recente sobre esta matéria, realizado no âmbito de Mestrado no ISCTE, conclui que «os indivíduos da Geração Z, quando comparados com a Geração X, necessitam de níveis mais elevados de Fit Organizacional para atingir níveis inferiores de intenção de turnover.»
Quando comparados com os indivíduos que pertencem à geração dos Baby Boomers, esta tendência repete-se, mas com a componente de Sacrifice Organizacional. Estes resultados representam uma mudança de comportamento da Geração Z quando comparada com as restantes gerações, e que se tornam em desafios para as entidades empregadoras destes indivíduos.»

BÁRBARA RAMOS DIAS
Mãe de três adolescentes, Bárbara Ramos Dias tem 25 anos de experiência como Psicóloga Clínica. A par da formação em Psicologia Clínica, fez o Mestrado em Ciências Criminais e Comportamentos Desviantes (Faculdade de Medicina de Lisboa).
Ao longo da carreira, especializou-se em adolescentes e jovens adultos, e por isso conhece bem o comportamento e as motivações destas faixas etárias. A par da prática clínica, tanto a nível privado como hospitalar, tem trabalhado ao nível do desenvolvimento emocional nas empresas, com diferentes ações de formação.
Paralelamente, fez formações complementares em Formação Sistémica em Eneacoching, Parentalidade Positiva, Psicodrama, Terapia de Constelações Familiares, Coaching Game Points of You e Coaching ARTEM.
Do consultório privado a hospitais, escolas e estabelecimentos prisionais, tem percorrido um caminho de apoio e intervenção psicológica e psicoterapêutica. Nas organizações, através de formações e palestras, capacita líderes e motiva as respetivas equipas.
Empresária e CEO da BRD, em 2007 recebeu o Prémio Impresa Mulher Ativa e, em 2008, o Prémio Empreendedorismo DNA Cascais.
No seu currículo, conta ainda com três livros sobre parentalidade, co-fundou duas IPSS e há quase duas décadas que colabora como voluntária em iniciativas de solidariedade. Inclusivamente, deu formação a mulheres carenciadas em Cabo Verde. Com apoios de pais voluntários, entregou máquinas de costura e deu formação em empreendedorismo e criação do próprio emprego.



